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Em Portugal desde 1913, após a chegada do
missionário José Plácido da Costa, um português radicado no
Brasil, as Assembleias de Deus consideram-se uma Igreja
Cristã, Evangélica e Pentecostal e têm como única regra de fé
os ensinamentos transmitidos pela Bíblia. No entanto, só em
1921, com a chegada ao País do missionário José de Matos
Caravela, também um português radicado no Brasil, é que o
trabalho das Assembleias de Deus começa a tomar forma e a ser
estabelecido. Em 1923, o missionário parte para o Algarve e é
nesse mesmo ano que funda, em Portimão, a primeira Assembleia
de Deus em Portugal. Cedo se espalharam por quase todo País e
em 1930 foi fundada a Assembleia de Deus no Porto, em 1932 na
cidade de Évora e em 1934 em Lisboa, entre outras. Estas
assembleias nasceram de uma obra espontânea e simples e, ao
longo dos anos, foram crescendo e desenvolvendo-se tendo,
actualmente, mais de 150 obreiros com dedicação exclusiva à
obra e ainda algumas centenas de presbíteros, diáconos e
cooperadores que vão ajudando a Igreja nos cerca de 500
lugares de culto espalhados pelo País. Toda esta
organização e este número de elementos são necessários para
acompanhar e ajudar os cerca de 20 mil fiéis que,
semanalmente, se dirigem aos locais de culto e também os 60 a
70 mil simpatizantes que, levados por familiares e amigos,
frequentam as congregações. Só em 1993 foi formada, a nível
legal e com estatutos aprovados, a Convenção Nacional das
Assembleias de Deus, mas já desde 1939 os pastores das igrejas
se reuniam para promover a comunhão e tratar de todos os
assuntos relativos a cada uma das igrejas. Nesta Convenção
os orgãos sociais como a Mesa da Assembleia Geral, a Comissão
Administrativa, o Conselho Fiscal, o Conselho Pastoral e o
Conselho Geral são eleitos democraticamente pelos membros da
Assembleia Geral, por um determinado período de tempo, tendo,
no entanto, cada uma das igrejas locais, autonomia para tomar
as decisões necessárias. A nível social as Assembleias de
Deus apostam muito na solidariedade e na ajuda ao próximo
tendo, para isso, criado orfanatos, lares de terceira idade e
cafés convívio para atendimento e aconselhamento a
toxicodependentes. Através do Departamento Nacional de Missões
prestam apoio aos mais necessitados também nos países
africanos de expressão portuguesa com géneros alimentícios,
vestuário, medicamentos e outros materiais
necessários. Segundo o pastor Manuel Jacinto Joana, que
serve nesta Igreja há já 24 anos, sendo neste momento o pastor
presidente da Assembleia de Deus de Alverca acumulando, ainda,
a função de presidente da Mesa da Assembleia Geral da
Convenção das Assembleias de Deus em Portugal, “as Assembleias
de Deus são um movimento de igrejas que pugnam por uma
transparência total perante os seus membros e as autoridades,
que contribui para o bem-estar espiritual, social e moral do
nosso País e que, principalmente, proclamam a mensagem
completa do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois como
cristãos desejamos que o povo português conheça na realidade a
Deus e O convide para ser o Senhor das suas vidas”.
Em
Alverca desde 1956 Quase a comemorar o seu cinquentenário,
a igreja de Alverca, cujo responsável é, desde 1982, o pastor
Manuel Jacinto Joana, possui nesta cidade duas casas de culto
que servem os cerca de 350 membros em comunhão e os 150
simpatizantes que participam nos cultos. Para ajudar na
gestão desta igreja, o pastor Manuel Joana conta com o auxílio
de cinco presbíteros, um evangelista e dez colaboradores que
dividem os seus esforços entre os seis locais de culto que a
Assembleia de Deus de Alverca possui em toda a sua
área. Esta igreja, que é ainda o membro número um da
Aliança Evangélica Portuguesa, possui uma escola dominical
onde os mais de 30 professores preparam anualmente cerca de
200 crianças e ainda uma escola teológica que em 2005 graduou
23 alunos. Os alunos que pretenderem alcançar uma formação
musical podem também frequentar uma das duas escolas de música
que a Assembleia de Deus de Alverca disponibiliza para os seus
fiéis. Segundo o pastor Manuel Jacinto Joana, a igreja da
área de Alverca tem conhecido um crescimento bastante
acentuado nos últimos anos sendo que, entre 1982 e 2006, esse
crescimento tem rondado os 60 a 70 por cento. A este
crescimento não são alheios os esforços dos responsáveis pelas
congregações que, com diversas actividades, quer lúdicas, quer
voltadas para a solidariedade social, têm tentado aproximar os
habitantes da área de Alverca dos caminhos de Deus. Apesar
de demonstrar grande abertura e muito serviço solidário
social, as Assembleias de Deus têm sido vítimas, segundo o
pastor Manuel Joana, de alguma incompreensão. “Hoje
verificamos que há uma grande confusão por causa de grupos que
têm chegado e que têm prejudicado a Igreja Evangélica, com os
quais nós não nos identificamos. As Assembleias de Deus têm
história. Somos reconhecidos pelo Governo e Estado Português,
deixámos de ser associações e passámos a ser Igreja. Isto
aconteceu há dois anos atrás com a Lei da Liberdade
Religiosa”, comenta o pastor. A grande diferença que existe
entre as Assembleias de Deus e outros grupos que têm aparecido
é, segundo o pastor Manuel Joana, o facto de adoptarem
posições extremadas. “A angariação de fundos prometendo
bênçãos, vendendo produtos e incentivando as pessoas a dar
dinheiro é uma das formas de trabalho desses grupos. Nós temos
a mensagem do Evangelho. De graça recebemos, de graça damos”,
afirma o responsável pela Assembleia de Deus de Alverca. O
pastor Manuel Jacinto Joana pretende continuar a pregar a
«Palavra de Deus» tal como ela é de forma a evangelizar cada
vez mais pessoas. A ideia principal para o futuro é continuar
a crescer e levar os mais novos a dar continuidade àquilo que
os pais e avós fizeram por esta igreja. “Hoje somos o que
somos pela graça de Deus e pela ajuda dos membros. Não nos
podemos desenvolver se não houver ajuda dos fiéis. Tal como um
rebanho quem reproduz são as ovelhas, não é o pastor que
angaria e que tem que fazer todo o trabalho”, salienta o
pastor Manuel Joana.
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